VÍDEO: mortandade de peixes deixa comunidades sem água própria para consumo em Alenquer, no Pará
23/10/2026
(Foto: Reprodução) Mortandade de peixes deixa comunidades sem água própria para consumo em Alenquer
Uma grande quantidade de peixes mortos se acumula às margens de lagos e igarapés na comunidade de Atumã, em Alenquer, no oeste do Pará. A mortandade, registrada por moradores durante a forte estiagem que atinge a região, tem prejudicado a pesca, principal fonte de renda de dezenas de famílias, e comprometido o acesso à água para consumo e atividades domésticas. (veja o vídeo acima)
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Imagens feitas por moradores mostram peixes mortos ao longo das margens, em meio à lama e à água cada vez mais rasa. Em alguns trechos, urubus se concentram perto dos animais, mas não conseguem consumir todos os peixes. O acúmulo das carcaças provoca mau cheiro, que chega às casas das áreas mais afetadas.
Segundo Lidiane Maria da Costa Campos, coordenadora da comunidade católica de Atumã, mais de 50 famílias dependem diretamente da pesca para sobreviver. Ela relata que a quantidade de peixes mortos representa um prejuízo significativo para os moradores.
“São toneladas de peixes que morreram. Isso acaba atingindo a renda familiar, porque o que era para ser pego pelos pescadores, muitos morreram”, afirmou.
Entre as espécies encontradas estão pescada, tucunaré, arraia e pirarucu, conhecido localmente como budeco. Segundo Lidiane, até exemplares de aproximadamente quatro quilos foram encontrados mortos.
Peixes mortos em Alenquer
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Famílias precisam comprar água para consumo
Além do impacto econômico, a mortandade preocupa os moradores pelos possíveis riscos à saúde. De acordo com Lidiane, a água nas áreas mais atingidas está imprópria para o consumo, e algumas famílias precisam comprar água para beber e cozinhar.
A situação também afeta a higiene doméstica. Em determinados pontos da comunidade, os moradores precisam percorrer distâncias maiores para buscar água em melhores condições, já que, segundo os relatos, a água disponível nas áreas mais afetadas não pode ser utilizada nem mesmo para o banho.
“Temos bastante crianças pequenas aqui na comunidade. A preocupação dos pais está sendo em comprar essa água, principalmente por conta das crianças, para não terem nenhum problema de saúde”, disse a coordenadora.
O mau cheiro provocado pelos peixes em decomposição agrava as condições de vida nas áreas próximas às margens. Segundo Lidiane, nem os urubus nem os predadores naturais conseguem consumir todos os animais mortos, o que contribui para o acúmulo das carcaças.
Estiagem pode alterar condições da água e provocar morte de peixes
A redução do nível dos lagos e igarapés durante a estiagem pode alterar as condições da água e contribuir para a mortandade de peixes. Segundo o engenheiro de pesca e professor Charles Hanry Faria Junior, a diminuição do volume de água provoca mudanças em fatores como temperatura, oxigênio e gás carbônico.
O especialista explica que a decomposição da matéria orgânica acumulada no fundo dos ambientes aquáticos também pode acelerar e liberar gases prejudiciais aos organismos.
“Com a redução do nível dos ambientes, as variáveis limnológicas, como temperatura, oxigênio e gás carbônico, se modificam. Além disso, a decomposição da matéria orgânica que se deposita no fundo dos ambientes aquáticos se acelera e forma gases prejudiciais. Esses fatores podem provocar morte, principalmente em lagos, que são ambientes que ficam fechados, isolados e com baixa profundidade”, explicou.
Em ambientes rasos e com pouca circulação de água, as alterações podem comprometer as condições necessárias à sobrevivência dos peixes. A redução do oxigênio dissolvido é um dos fatores que podem provocar a morte dos animais.
Moradores de Atumã relatam que os locais onde os peixes costumavam permanecer estão secando, obrigando os animais a procurar pontos mais profundos. A presença de algas e a diminuição do oxigênio na água também estão entre as hipóteses levantadas pela comunidade para explicar o fenômeno.
No entanto, a causa específica da mortandade registrada em Atumã ainda precisa ser confirmada por uma avaliação técnica das condições da água e dos peixes encontrados mortos.
Defesa Civil esteve na área, dizem moradores
De acordo com Lidiane, representantes da Defesa Civil estiveram na terça-feira na parte mais afetada da comunidade. Ela afirmou, porém, que os moradores ainda não tinham informações sobre as providências adotadas após a visita.
“Certo que vieram, pelo menos tirar foto. Então está nessa situação aí”, relatou.
A coordenadora afirma que a comunidade continua enfrentando dificuldades para conseguir água potável e que os prejuízos atingem diretamente as famílias que dependem da pesca.
A situação ocorre em meio ao período de forte estiagem no oeste do Pará, com redução dos níveis de rios, lagos e igarapés em diferentes localidades. A diminuição do volume de água pode afetar o abastecimento, a navegação, a pesca e outras atividades econômicas das populações ribeirinhas.