Ex-PM é condenado a 25 anos de prisão pelo feminicídio de estudante em Belém
04/11/2026
(Foto: Reprodução) Caso Bruna Meirelles: Réu é julgado por atirar em jovem dentro de caso em 2025
A Justiça condenou, nesta quarta-feira (4), o ex-policial militar Wladson Luan Monteiro Lopes a 25 anos de prisão pelo feminicídio da estudante de nutrição Bruna Meirelles Corrêa, de 32 anos. A jovem foi morta com um tiro na cabeça em março de 2025.
O caso teve repercussão no Pará e mobilizou dezenas de moradores do município de Colares, terra natal da vítima, que fretaram um ônibus para acompanhar a sessão e cobrar por justiça.
A sessão do Tribunal do Júri começou por volta das 9h e o veredito foi anunciado na noite desta quarta.
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PM baleou Bruna na cabeça.
Reprodução / Redes sociais
Acusação e defesa
O crime ocorreu no dia 12 de março de 2025. Bruna e Wladson estavam sozinhos dentro do carro do então policial quando houve o disparo. O réu chegou a socorrer a jovem, levando-a para o Pronto Socorro Municipal da 14 de Março, mas ela não resistiu. Ele está preso preventivamente desde o dia do crime.
A defesa do ex-PM trabalhou com a tese de homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, o que resultaria em uma pena significativamente mais branda.
Segundo os advogados de Wladson, o casal discutia dentro do veículo e o disparo teria sido acidental. A arma estaria embaixo da perna do condutor, prática descrita como comum na rotina policial, e teria disparado acidentalmente no momento em que ele tentou guardá-la, devido à sensibilidade do gatilho.
Já a acusação descarta a hipótese de acidente. Com base na reconstituição do caso realizada pela perícia científica, a Promotoria de Justiça afirma que a dinâmica do disparo comprova que o gatilho foi puxado intencionalmente contra a cabeça da vítima.
O motivo do crime, segundo a acusação, seria o fato de o réu não aceitar o término do relacionamento, que durava cerca de um ano.
Depoimentos
Durante a manhã, o júri ouviu testemunhas de acusação, incluindo peritos criminais, amigos e familiares de Bruna.
Depoimentos apontaram que a jovem apresentava mudanças drásticas de comportamento após o início do namoro com o ex-PM.
De acordo com relatos de familiares, Bruna, que morava em Belém para estudar, passou a se isolar e a faltar a eventos familiares frequentes.
Uma das testemunhas relatou, inclusive, ter visualizado marcas de agressões físicas no corpo da estudante antes do crime.
Protesto em frente ao Fórum
Durante o intervalo de almoço do julgamento, familiares e amigos de Bruna realizaram um ato pacífico em frente ao Fórum Criminal de Belém.
Vestindo camisetas com o rosto da estudante e carregando cartazes, o grupo clamou pela condenação máxima do réu.
Dona Dalva, mãe de Bruna, expressou a dor da perda e a expectativa em relação à decisão dos jurados. "Eu só quero pena máxima para o assassino que tirou a vida da minha filha. Só quero justiça", desabafou.
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